Por que o ansiolítico não resolve a angústia
O calmante alivia o corpo, mas não silencia o que insiste. Sobre o uso crônico de benzodiazepínicos e a ética do sofrimento.
Textos sobre psicanálise, ansiolíticos, escuta clínica e o que insiste como sintoma. Sem promessas de resultado, sem manuais de conduta.
O calmante alivia o corpo, mas não silencia o que insiste. Sobre o uso crônico de benzodiazepínicos e a ética do sofrimento.
Parar de tomar ansiolítico não é apenas desmame químico. É restaurar a condição desejante que o medicamento anestesiou.
A terapia trata o sintoma. A psicanálise interroga o que insiste em se repetir mesmo depois da terapia.
Não é a mesma coisa. Não é abordagem. Não é título acumulável. É outro ofício, com outra ética e outra duração.
Lacan não é complicação gratuita. É a tentativa mais rigorosa de manter viva a descoberta freudiana num século que insiste em domesticá-la.
Análise não é para todos, e não é para todo momento. Algumas perguntas honestas antes de começar — para que comece bem, ou não comece.
Crises de pânico e compulsões não são falhas de autocontrole. São formas que o sintoma encontra para dizer o que ainda não pode ser dito de outro modo.
Clarice escreveu o que a clínica escuta. A literatura dela sustenta o que a teoria psicanalítica tenta formalizar — e ensina, ao analista, a posição que a escuta exige.
Padrões que voltam apesar do esforço consciente não são fraqueza moral. São estrutura subjetiva — e têm caminho clínico.
A escuta não depende do espaço físico. Depende do enquadre — e o enquadre se sustenta também na tela, em condições específicas.
O preço de uma sessão é o mínimo para que ela faça efeito. Sobre custo, valor e o que está em jogo no pagamento da análise.
A angústia não pede causa para existir. Ela aparece exatamente onde o que se conquistou não dá conta da pergunta sobre o desejo.